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segunda-feira

Entrevista em Destaque com a Gina do blog NacoZinha

A entrevista de hoje é com a Gina, do blog NacoZinha, que é a "recordista" de participação em encontros de bloguerias e tem uma das cozinhas mais floridas da internet. Eu tive muito prazer de conhecê-la pessoalmente, espero que você também aprecie conhecê-la um pouco mais.




1) Conte-nos um pouquinho como foi o início do Naco Zinha Brasil. Quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar.

O Naco Zinha começou há 4 anos. Costumava visitar blogs e senti que devia criar um para divulgar o grande acervo de receitas que possuía. A principal motivação era por doces, mas também sentia vontade de falar sobre a diversidade cultural dos povos através dos alimentos.

2) Quando surgiu seu interesse pelas panelas?

Surgiu quando eu casei. Antes disso, o jornada diária era longa. Não sobrava tempo para pensar em cozinhar.

3) Eu vejo você como a "recordista" de participação em encontros de blogueiros. Conta para a gente como foi seu primeiro encontro e o que lhe atrai nesses eventos.

É verdade, coleciono encontros. Já foram 18! O primeiro foi em dezembro de 2008, com a Ana Kaddja, uma experiência curiosa e emocionante. O marido dela registrou em fotos nosso abraço inicial. Parece clichê, mas era como se fôssemos amigas de longa data!

4) Você acha que participar de encontros presenciais ajuda seu blog de alguma forma? Como?

Nunca pensei sob essa ótica. Os encontros sempre foram para mim muito pessoais, para estreitar amizades, conhecer um pouco mais as pessoas que administram os blogs.


5) Qual a sua profissão/formação profissional? De alguma maneira essa profissão/formação influencia no blog?

Bancária aposentada, pós-graduada em Administração Estratégica de Pessoas. A profissão e a formação em nada influenciaram.
Quando comecei o blog já estava aposentada, mas, no trabalho, o interesse pela cozinha me fez participar da equipe de eventos. Decorava mesas e executava vários pratos. Preparei 30 receitas enviadas pelos colegas e confeccionei um livro para distribuição entre eles. Algumas dessas receitas já divulguei no blog, inclusive.

6) Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?

A dificuldade inicial era técnica mesmo, de como fazer os posts, ajustar fotos, layout, mas o marido ajudou bastante nessa parte.
Atualmente, é conciliar o tempo com outras atividades. Mas durante esses 4 anos consegui manter regularidade nas postagens.

7) Seu blog é um passatempo ou você pretende ganhar dinheiro com ele ou através dele?

Começou totalmente despretensioso. As empresas começaram a me procurar com o intuito de divulgar seus produtos e serviços, mas esse não é o meu foco. Dou o meu melhor e as parcerias surgem naturalmente.

8) Quanto tempo por dia ou por semana você se dedica ao blog?
Não saberia precisar, mas são muitas! Se você for considerar a preparação dos pratos, as fotografias, a divulgação nas redes sociais, vai longe...

9) Todo blogueiro de gastronomia é apaixonado por comida. Mas você tem outra paixão além dessa, que são as flores! Como começou seu interesse pelas flores e onde encontra tanta variedade para fotografar e postar?

Começou desde adolescente, porque morava numa casa com um grande jardim, mantido por minha mãe. Fui pegando gosto de ver como ela cuidava e ficavam lindos os canteiros. Passei a colaborar, trocar mudas com conhecidos, fotografar, pesquisar nomes científicos e me apaixonei completamente.
Moro numa cidade com muito verde. Consigo encontrar flores muito interessantes e saio com a máquina fotográfica em minhas caminhadas.
Um detalhe importante é que as flores estão no blog encerrando praticamente todos os posts, sempre em associação ao prato. Seja pelo nome popular ou científico, por alguma curiosidade, por ser a flor-símbolo de um lugar cujo prato esta sendo apresentado e muitas outras alusões. Acabou se transformando num diferencial do Naco Zinha. É um desafio prazeroso buscar a flor certa para cada post.

10) Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?

Sites, programas de culinária, restaurantes, lembranças de refeições em família, visitas a empórios, feiras, mercados, festas, viagens, caminhadas, eventos e muito mais. Há uma fonte inesgotável de assuntos que pretendo abordar ainda no Naco. Adoro pesquisar e prefiro não me limitar na publicação de fotos e receitas. Se não houver uma contextualização, perde a característica de um blog, dessa conversa diária aprazível. Não e à toa que o slogan do Naco Zinha é "um pouco de tudo na cozinha, inclusive flores!"

11) O blog alterou de alguma forma sua maneira de lidar com a comida? E com as flores?

Alterou e muito! Passei a me interessar bem mais por ingredientes que nunca havia experimentado, me permiti uma nova chance aos alimentos que estavam na categoria "não gosto", fiquei mais antenada em relação a tudo que se refere à gastronomia.

Com as flores, algumas vezes elas foram a fonte de inspiração para a confecção de algum prato.

12) Como eu, você adora viajar. Você programa algum passeio já pensando em publicar no blog ou a cobertura da viagem é só consequência e acontece naturalmente?

Normalmente, a cobertura da viagem é só consequência, mas já aconteceu de escolher determinado período de viagem, para coincidir com algum evento gastronômico, como a Marejada de Itajaí e a Festa Nacional do Carneiro no Buraco, de Campo Mourão.

13) Gastronomicamente falando, qual foi o melhor lugar que já visitou?

É dificil responder a essa pergunta, porque meu paladar é bem eclético e nenhum lugar foi 100% nesse quesito.
Comer um alimento orgânico é um prazer, que muitas vezes encontramos mais facilmente em pequenas cidades do interior do Brasil. Poderia citar, também, as massas de Roma, os sorvetes de Florença, o salmão do Chile, o leitão de Lisboa... Mas não tenho uma preferência pela culinária específica de um determinado lugar.

14) Nós, blogueiros sérios, somos vítimas constantes de plágio. Já aconteceu com você? Como lida com isso? Reclama ou deixa para lá?

Já aconteceu bastante, tanto a cópia de imagens, quanto de texto completo, com minhas opiniões pessoais, situações, tudo. Reclamei várias vezes. Algumas pessoas atenderam ao pedido, retirando posts e fotos ou concedendo os créditos.

Atualmente, parei de procurar...

Há páginas no facebook e sites que se caracterizam pela simples divulgação de fotos e receitas alheias com uma visibilidade impressionante. A questão do interesse pessoal ou financeiro ultrapassa qualquer limite, o que é um reflexo do comportamento de quem administra esse tipo de veículo.

Prefiro ter os amigos e leitores que gostam de acompanhar o Naco Zinha do meu jeito, no meu ritmo e sem usar de artifícios para gerar números. Questão de consciência tranquila.

Posso garantir a você uma coisa. É um grande prazer ter um blog, cuidar, melhorar e fazer amizades através dele!




Muito obrigada Gina pela entrevista e muito mais sucesso com seu blog!


Entrevista em Destaque com a Queila do Gourmet e Gourmand

A entrevista de hoje é com a Queila que escreve o blog Gourmet e Gourmand e tem um Atelier de doces em Salvador, o Doce Melange, de onde saem quitutes incríveis. Queila é blogueira por hobby e cozinheira por paixão. Apaixone-se você também!





 1. Conte-nos um pouquinho como foi o início do Gourmet e Gourmand. Quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar o blog.

Um certo dia em fevereiro de 2011, eu estava em casa com meu filho Cadu, que tinha 1 ano de idade e senti a necessidade de começar algo para mim. Depois da gravidez e breve início da participação em uma empresa de cocadas (antes do Doce Melange), eu sentia uma vontade grande de fazer algo ligado a cozinha que não fosse tomar muito meu tempo, mas que me deixasse conectada a essa área da casa que tanto amo.
Em abril do mesmo ano eu desfiz a parceria com a empresa das cocadas. Depois disso fiquei sem idéia do que fazer profissionalmente (a idéia era ter meu próprio negócio) e resolvi me dar um pouco de tempo para pensar como seguir. Posso dizer que o blog preencheu meus dias pensativos e cheios de ansiedade.
Sempre que repenso nos acontecimentos desse ano, chego à conclusão que o blog surgiu no momento certo e com o propósito certo, estar conectada à comida e cozinha em geral.
Assim que comecei com o blog pensei, eu também posso ter um, haha! Antes ficava olhando os blogs de culinária brasileiros e achava o máximo, mas nunca pensei que podia ter um.
Agora tenho!

2. Quando surgiu seu interesse pelas panelas? E quando surgiu o interesse por fazer doces?

Desde criança gostava de ficar na cozinha acompanhando o preparo das refeições. Achava lindo e mágico o ato de cozinhar. Muitas vezes ficava de boca aberta, nem piscava. Crianças!!!
As sobremesas sempre foram minhas preferidas. Sempre gostei de sobremesa e acredito que devido a isso, tenho esse interesse pela confeitaria. Fazer doces é uma bela conseqüência :)

3. Qual a sua profissão/formação profissional? De alguma maneira essa profissão/formação influencia no blog?

Minha formação é de cozinheira. Fiz o curso de cozinheiro, cozinha internacional, em 2003 no Senac da Casa do Comércio aqui em Salvador. Depois desse curso tudo que aprendi foi autodidaticamente. Fiz cursos rápidos de algumas especialidades por curiosidade, mas quase sempre me sentia melhor aprendendo sozinha. Na área de confeitaria quase tudo foi aprendido nos livros e na prática.
Com certeza minha formação influencia no blog, Afinal lá é minha cozinha virtual aberta a todos e é onde gosto de compartilhar todas as receitas legais que preparo. Lá procuro passar todo meu amor pela cozinha ou confeitaria.

4. A vontade de abrir seu Atelier de doces veio antes ou depois de começar o blog? Há alguma relação entre os dois?

Veio depois! Eu diria que eles não tem muita relação entre si. O blog, apesar de importante para mim, é somente um hobby. Sim, eu uso ele um pouco para divulgar meu Atelier e é só isso.
No blog quero manter uma postura descontraída e aberta, menos formal!

5. Você posta receitas de produtos que você vende ou essas são secretas?

Não posto não! Elas são mesmo secretas, acredito que isso, no momento, é algo vital para o negócio. Mas não posso afirmar que não uso técnicas (no trabalho) que mostro lá no blog. É impossível separar isso. Impossível e eu também não quero. Mostrar técnicas legais, métodos de preparo, novas experiências e meu jeito de cozinhar são uma das coisas que mais gosto de compartilhar no Gourmet e Gourmand.
(me estendendo um pouco...) Acredito que isso tenha um pouco o caráter de “educar” as pessoas a serem criteriosas com o preparo da comida ou doces. Gosto de incentivar as pessoas a tomarem tempo para prepararem coisas legais e gostosas, mas também gosto de preparações rápidas para o dia a dia. Embora não mostre muito.
Além disso, para mim é bem importante que esteja tudo bem apresentado, explicado, com fotos e tudo mais.
Isso é bem o reflexo de minha aprendizagem autodidata. Gosto muito mais dos livros bem explicados e com bastante fotos.

6. Você acha que o blog ajuda a divulgar o Doce Melange e impulsionar as vendas? E as redes sociais, são um bom meio de divulgação para seu trabalho?

Pelo fato de eu encarar o blog como um hobby e não investir muito em publicidade dele, acredito que ele não me traga clientes. As redes sociais fazem melhor esse papel.
Muitas vezes já aconteceu do efeito ser o contrário. As pessoas conhecerem o Doce Melange e depois “acham” meu blog e ficam deslumbradas com minhas experiências na cozinha.
Chegam até a enviar e-mails carinhosos elogiando tudo o que viram.
Eu me sinto muito bem com isso e adoro claro!

7. Você morou fora do Brasil por um tempo. Conta para a gente como foi sua adaptação à comida de outro país e de que forma essa experiência modificou sua relação com a alimentação.

Minha adaptação não foi difícil, olhando para trás digo mesmo é que foi perigosa para a saúde, pois tive acesso a infinitas delícias que mal pude me conter. Engordei 14 quilos em 1 ano e virei literalmente uma bolinha.
Nos primeiros 4 meses, morei em uma região de interior e em muitos lugares que passei tinha plantação de alguma coisa. Na aldeia onde morei tinha plantação de trigo, girassol, canola, batatas, vagem, uma fazenda de maçãs e peras bio, tinha uma fazenda que vendia leite de vaca e pão artesanal, e muito mais. O contato com a produção dos alimentos tão perto de mim, comer frutas do pé e colher os alimentos no jardim foi algo muito especial e novo.
O fácil acesso a informação mais profissional era incrível e eu quase pirei com tudo isso. Só queria experimentar e fazer e não parei.
Eu estava muito empenhada em aprender e daí comecei a montar minha pequena biblioteca. Comprei muitos livros bons que me ajudaram nesse meu caminho de auto aprendizagem. Economizava bastante para poder comprá-los. Não eram baratos, mas precisei e ainda preciso muito deles.
Depois de um tempo lendo, aprendendo e treinando, cheguei a fazer Sushis em festas pequenas, cozinhei junto com pessoas de outras nacionalidades, conheci um pouco e gostei muito da comida vegetariana, participei de algumas feiras anuais do ramo de gastronomia e confeitaria, freqüentei restaurantes diversos e dois deles hoje já são estrelados (o contato com esse tipo de gastronomia também foi incrível), experimentei sorvetes e conheci sorveterias e confeitarias excelentes.
Todas essas experiências mudaram minha relação com a alimentação. Comer e cozinhar se tornou algo concreto, essencial, cheio de significados e importâncias.
Para se ter uma idéia, antes de sair do Brasil, não comia quase todas as verduras e legumes, só batatas e demais raízes. Hoje como de tudo e ainda sei o porquê
que não gostava. Isso para mim é fabuloso!

8. Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?

No começo foram as de informação. Como é que isso tudo aqui funciona meu Deus! Pensava eu!
Não sabia como escrever um post direito e por uma foto nele. Nem como fazer uma página e melhorar o layout do blog.
Foram inúmeras horas de leitura de tutoriais para aprender tudo. Hoje me sinto numa posição confortável, mas ainda não sei tudo!
Atualmente minha dificuldade mesmo é atualizar o blog, hehe
O Doce Melange e os outros afazeres de mulher/mãe/filha toma muito meu tempo, mas o blog continuará, mesmo que não tenham mais tantos posts por mês. Se tornou algo muito presente em minha vida e hoje não consigo passar um dia sem pensar nele.

9. Você costuma dizer que seu blog é um passatempo. Qual sua motivação para escrever?

Com certeza posso afirmar que minha motivação vem de vários lados e a maior delas é o amor pela cozinha. Depois que descobri que posso compartilhar/mostrar esse amor para mais pessoas, fiquei muito mais motivada em continuar com o blog.
Sou cozinheira de coração e paixão. Parece bem clichê isso, mas é a pura verdade. Quando eu estou na cozinha, estou me encontrando comigo, estou em meu elemento.

10. Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?

A inspiração vem do dia a dia, vem do olhar lançado para as frutas dos feirantes que passo todos os dias a caminho do trabalho, vem das lembranças de minhas experiências na cozinha, vem do passeio pelo corredor do supermercado ou mercadinho, vem da vontade louca de comer ou elaborar algo especial, vem da saudade de um livro ou das pessoas que já conheci, vem do desejo de fazer algo gostoso para o meu filho... vixe, são muitas!
  
11. Como é sua relação com os leitores do blog? Você acha que o feedback de um leitor sobre uma receita pode ajudar você a melhorar ainda mais os seus doces?

A relação é muito boa! Adoro receber comentários e é uma prioridade respondê-los. Adoro a interação com os visitantes e essa interação é vital para um blogueiro.
Muitas vezes o feedback de um leitor me faz repensar na receita e mudar algo, portanto acho sim que os feedbacks são valiosos e ajudam a melhorar, seja a receita ou a maneira de escrevê-la e passá-la.

12. O blog alterou de alguma forma sua maneira de lidar com a comida? E o Atelier de doces, você come mais ou menos comidas açucaradas por causa dele?

Não, isso aconteceu durante minha formação num todo. O que existiu foi a busca de um alinhamento entre escrever num blog e ao mesmo tempo mostrar a importância do alimento para mim. No momento a maré está para formigas lá, pois posto muita coisa doce, mas vez em quando postarei algo salgado como já fiz bastante.
Por incrível que pareça como menos doces! É muito difícil continuar com o mesmo apetite para doces depois que se faz doces com frequência :)
Mesmo assim não dispenso uma sobremesa de vez em todo dia, hehe. O desejo por ingerir açúcar é louco e depois de uma lição com meu peso e corpo procuro saciar, quase sempre, esse desejo com o dulçor das frutas maravilhosas que temos :)




Muito obrigada Queila pela entrevista e muito sucesso para o blog e para seu Atelier!


Entrevista em Destaque com Stefânia Barreto do blog Com uma Pitada de Açúcar



A Entrevista de hoje é com a Stefânia, autora do delicioso e muito fofo blog Com uma Pitada de Açúcar. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e posso dizer que ela é tão fofa quanto seu blog! Suas receitas são muito lindas, passa lá depois de ler a entrevsita!




1. Conte-nos um pouquinho como foi o início do Com uma Pitada de Açúcar, quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar.

Bom, o Blog foi uma iniciativa do meu marido, namorado na época. Sempre tive grandes crises de enxaqueca e quando começava a cozinhar, era como se a dor desaparecesse. Foi quando ele percebeu isso e comentou "Por que você não começa a registrar tudo isso? Já que cozinhar faz tão bem para sua saúde, por que não pegar as horas vagas e compartilhar essas experiências com os outros?”. Foi então que, durante as férias de fim de ano, peguei o computador e coloquei em prática. Foi tão natural, sabe? Parecia que eu já fazia aquilo a anos. Me senti super bem escrevendo tudo aquilo que naquele exato momento percebi que foi uma decisão mais que acertada.

2. Quando surgiu seu interesse pelas panelas?

Não lembro exatamente quando comecei a gostar. Minhas lembranças sempre me levam a um interesse e prazer tão grande quanto a gastronomia, a leitura. Lembro-me de folhear os livros da minha mãe, questionar que ingredientes eram aqueles que nunca tinha visto, o por que de algumas etapas...e por aí vai. Sempre tive muita curiosidade. Adoro a descoberta da leitura, do aprendizado, de perceber que conseguimos ver o resultado de um trabalho feito com dedicação...

Mas minha mãe ao perceber esse interesse tão forte, logo cedo me levou para a cozinha com ela. E é aí que tudo começa na prática. Recordo que antes dos 8 anos eu já fazia comida em casa com ela e que meu pai adorava aquele meu novo interesse. Tivemos uma cena até engraçada, pois em algum momento ele já pedia que eu fizesse o arroz no jantar, já que o meu era mais gostoso...rsrsrs. Depois disso, principalmente na adolescência, esse interesse não foi tão presente, acho que acabei priorizando outras coisas e a cozinha acabou sendo algo do dia-a-dia, mas não por prazer, mais por necessidade.

Quando saí da casa dos meus pais isso voltou repentinamente, passei a cozinhar, a estudar mais, a testar novas coisas e quando vi, já tinha o blog e planos para cursar o curso de gastronomia.

3. Falando nele... Como está sendo para você a faculdade? Seu aprendizado influencia no blog? Como?

A faculdade é um barato! Acho que nunca é tarde para começar um novo curso ou um novo projeto. E a faculdade é bem isso mesmo, cada dia aprendo algo novo, abro minha cabeça para assuntos nunca abordados...combinações...técnicas. O melhor de tudo é que consigo expressar melhor tudo aquilo que pensava antes, com a teoria mais fundamentada, consigo transpor de forma mais coesa minhas ideias.

Mas nem tudo são flores, não é mesmo? Acabei me distanciando mais do blog por conta do curso. E a única razão é aquela famosa palavrinha: “Tempo!”. Infelizmente não trabalho na área de gastronomia e me dedico integralmente ao meu trabalho na área de Telecomunicações (Trabalho com Análise e Controle de Projetos de Telecomunicações para um instituto de pesquisa de uma multinacional que fabrica aparelhos celulares). Então a rotina é um tanto dura, e acabo usando o meu tempo livre para fazer trabalhos curriculares e ficar com a família. Mas sempre que posso, tento levar aos leitores algumas explicações mais técnicas ou então receitas que não são tão convencionais para que eles possam se aventurar em novas técnicas ou até sabores. Na verdade isso é uma das partes mais fantásticas. É receber o feedback de um leitor que tinha dúvidas e a partir do blog ele conseguiu entender melhor sobre um assunto, ou até que se aventurou a fazer uma receita mais trabalhosa e deu certo. Adoro isso!

4. O que você pretende fazer profissionalmente após a faculdade?

Até agora não tenho planos para mudar de área. Apesar de amar a gastronomia e sentir enorme prazer quando estou cozinhando, eu também gosto muito do que faço. A faculdade veio como um instrumento de conhecimento...mas quem sabe num futuro próximo, não é mesmo?

5. A escolha do nome do seu blog significa que você tem preferência por doces? Preferência para fazer, para comer ou ambos?

Na verdade eu não sou a maior fã do mundo de doces não. Gosto. Mas minha preferencia vai para aqueles mais cítricos ou amargos. Na verdade meu paladar é mais para o salgado.

Agora quando falamos em ir para a cozinha, não consigo comparar na mesma escala o meu prazer por fazer doces em relação aos salgados. Sou apaixonada pela Patisserie, pela sua meticulosidade, por ser tão detalhista, organizada...é como se fosse uma terapia, sabe? A sorte é que o meu Amore adora doces então consigo ter público para minhas tortas, sobremesas, etc. Eu provo para saber se está bom, mas dificilmente você vai me ver repetindo a sobremesa ou atacando a geladeira atrás de um docinho.

6. De alguma maneira sua profissão/formação profissional influencia no blog?

Eu estudei Relações Internacionais e depois Administração de Empresas. Me considero uma pessoa muito organizada e concentrada, e acho que isso ajuda principalmente na pâtisserie, já que preciso dispor de bastante atenção a qualquer detalhe para o sucesso da receita. Em relação ao blog, acho que influencia positivamente também, principalmente quando me proponho a fazer algum post...tento (dentro das minhas possibilidades é claro) trazer um texto coeso e de fácil entendimento ao leitor e dar a maior quantidade de detalhes possíveis para que, aquele que se propor a testar alguma das receitas, consiga seguir os passos sem levantar dúvidas.

7. Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?

Acho que no início era trazer uma identidade para ele. Quando eu pesquisei sobre os blogs antes de começar a escrever o meu, percebi que me identificava bastante com aqueles que tinham uma proposta pré-estabelecida, sabe? Claro que gosto daqueles que falam sobre diversos assuntos, temas...mas minha intenção era seguir uma vertente e que o blog fosse lembrado por ter um direcionamento. Atualmente o meu maior desafio é conseguir postar o tanto quanto gostaria. Mas com a faculdade acabando no fim desse ano, acredito que poderei me dedicar mais a ele e aos leitores.

8. Seu blog é um passatempo ou você pretende ganhar dinheiro com ele ou através dele?

Seria perfeito, não é mesmo? Ganhar dinheiro com aquilo que agente gosta de fazer é o melhor dos mundos. Espero algum dia monetizar essa atividade, mas acho que ainda preciso aprimorar alguns itens e conseguir me dedicar mais (e aqui falo inclusive de trazer mais novidades, tempo, etc) para que se torne auto-sustentável.

9. Quanto tempo por dia ou por semana você se dedica ao blog?

Esse ano foi super atípico. Me casei, estou terminando o curso de gastronomia, o trabalho aumentou...então me dediquei menos do que gostaria. Tenho tentado postar pelo menos 2 vezes por semana, mas claro que cuidar do blog não é só fazer o post. Tem que comprar os insumos, preparar a receita, tirar fotos, preparar texto...etc.

10. Nós participamos do 1° Encontro Gourmet com blogueiros de Gastronomia, que foi ótimo. Você acha que esse encontro vai modificar alguma coisa na sua maneira de blogar ou na maneira como lida com outros blogueiros?

O evento foi sensacional! Inicialmente minha idéia de participar era para conhecer melhor aquelas pessoas que só temos contato virtualmente. Mas ao voltar de SP percebi que os blogueiros estão super profissionais, percebi no evento como levam a sério aquela atividade e que tem tudo para dar certo. Sei que muita gente já ganha dinheiro ou está tentando monetizar o blog, mas no evento percebi que a grande maioria está profissionalizando tudo, o que é ótimo! Traz mais seriedade para o meio e consequentemente uma publicidade muito positiva para nós.

11. Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?

Em grande parte na biblioteca que mantenho em minha cozinha. Gosto muito da cozinha francesa, então tento estudar sempre que posso...ler, ver filmes, conversar com pessoas que têm o mesmo interesse. Mas o que realmente me inspira a cozinhar é ir ao supermercado ou alguma deli e encontrar bons produtos...fico percorrendo os corredores e já encho a cabeça de idéias (principalmente por conta do que leio) para usar aqueles belos ingredientes. Para mim não tem mistério, carinho ao preparar a comida e bons ingredientes é sinal de um excelente resultado!

12. O blog alterou de alguma forma sua maneira de lidar com a comida?

Com certeza! Principalmente pelo fator estético. As vezes na correria do dia-a-dia não me preocupava tanto com uma apresentação mais elaborada, mas depois do blog, a preocupação em trazer um prato bonito, em que as pessoas tenham vontade de prepara-lo e comê-lo, me fez caprichar muito mais nesse quesito. Inclusive mesmo que eu esteja sozinha em casa para comer, eu reservo um tempinho para deixar minha refeição mais bonita e melhor apresentada...no fim até dá mais prazer em comer....

13. Nós blogueiros sérios somos vítimas constantes de plágio. Já aconteceu com você? Como lida com isso? Reclama ou deixa para lá?

Sim, inúmeras vezes. No início eu reclamava, mandava e-mails...mas agora eu confesso que percebi que não adianta brigar com a internet. Tem muita gente mal intencionada por aí. Ainda chamo a atenção quando eu encontro algo, mas não fico correndo atrás para saber se alguém está plagiando ou não. Já aconteceu inclusive com grandes portais de notícias usando minhas fotos e receitas, nesse caso eu brigo mesmo. Uma coisa é uma senhora que não entende muito de direitos autorais...outra coisa é uma grande empresa que quer ganhar dinheiro as suas custas.




Muito obrigada Stefênia pela entrevista e muito sucesso para você e para o Com uma Pitada de Açúcar!

Entrevista em Destaque com Alessandra do blog Pilotando um Fogão



A entrevista de hoje é com a Alessandra Passini Sander que tive o prazer de conhecer pessoalmente. Ela escreve o Pilotando o Fogão onde publica receitas do seu dia a dia.

Vamos conhecê-la?



  1. Conte-nos um pouquinho como foi o início do Pilotando um Fogão, quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar.
O Pilotando um Fogão nasceu em janeiro de 2010, quando resolvi organizar algumas receitas que eu guardava em gavetas na cozinha. Eram recortes de jornais, revistas e até embalagens de produtos, que de certa forma haviam despertado meu interesse, mas que nunca havia testado.
Foi então que tive a ideia de criar um blog e postar todas as receitas que eu testasse e que fossem aprovadas por nós. A intenção é de que todos os detalhes pertinentes à receita estivessem ali registrados, para que em qualquer tempo pudessem ser refeitas sem dúvidas. Isso porque entre as minhas receitas haviam muitas do tipo passadas de mãe para filha, ou entre amigas, quando os ingredientes ou modo de preparo são tão resumidos que muitas vezes fica impossível reproduzir. 

  1. Quando e como você começou a pilotar um fogão?
Ao contrário da grande maioria que mantém um blog de culinária ou gastronomia, eu não iniciei minhas aventuras culinárias na infância. Meus pais não deixavam chegar perto do fogão, e minha tarefa na cozinha era apenas a de secar a louça.
Durante a adolescência, inconformada ao ver que minhas amigas já faziam  bolos, doces e até almoços para a família, resolvi aproveitar uma saída da minha mãe e fiz um bolo. Mas é claro que não procurei receitas, (faço isso até hoje). Fiz o bolo com os ingredientes que eu imaginava que fossem necessários. E nem preciso dizer que o bolo não deu certo. Na primeira tentativa esqueci o fermento, e numa outra, da gordura. Como não tinha a menor paciência para seguir receitas ou ser assessorada pela minha mãe, acabei desistindo da cozinha.
Depois, com 19 anos, quando comecei a namorar meu marido, senti necessidade de aprender algumas coisas, pois ele cozinhava muito bem.
Mas posso dizer que foi mesmo depois de casada e principalmente com o início do Pilotando um Fogão que me apaixonei pela cozinha. Ela segue sendo minha terapia e fonte de inspiração diária.

  1. Qual sua profissão/formação profissional? De alguma maneira essa profissão/formação influencia no blog?
Eu sou formada em Arquitetura e Urbanismo e isso influencia e muito o Pilotando. Ela é bem marcante no logo, onde fiz questão de usar o traçado típico dos arquitetos ao desenhar um fogão, com traços feitos à mão livre e que se cruzam, ao invés de se encontrarem perfeitamente. Além disso, ela aparece também no layout do blog, na construção de um prato e sua decoração, na composição das fotos e até mesmo na descrição de cortes ou posicionamentos da comida.

  1. Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?
No início o blog era apenas um registro particular de receitas, eu não tinha qualquer pretensão com ele.
Depois de seis meses, comecei a perceber que outras pessoas chegavam até o Pilotando, pois  começaram a surgir  comentários e também crescia o número de visitantes. Foi a partir daí que comecei a pensar em escrever não só para mim, mas para interessados em aprender junto comigo.
No final do ano passado com um crescimento considerável de leitores, investi no novo layout e também em domínio próprio, o que de certa forma aumentou os custos que antes eram somente com os ingredientes.
Hoje vejo que minha maior dificuldade é a de manter a qualidade do blog com receitas e informações atualizadas diariamente, sem ter renda significativa proveniente do próprio blog.

  1. Seu blog é um passatempo ou você pretende ganhar dinheiro com ele ou através dele?
Começou como um passatempo, mas hoje penso e me dedico muito para que se torne fonte de renda, principalmente através de anúncios.
Além disso, sonho com a possibilidade de publicar um livro. Quem sabe...

  1. Quanto tempo por dia ou por semana você se dedica ao blog?
O blog hoje é meu trabalho, mas não sei dizer ao certo quanto tempo de dedicação ele exige. Sei que são muitas horas, talvez até mais do que um trabalho convencional. O envolvimento começa com a pesquisa por ingredientes e receitas, a compra dos mesmos, a criação ou reprodução de uma receita, o registro fotográfico, a montagem do post, e horas e horas voltados à divulgação através das redes sociais. O trabalho não tem hora para começar, nem para terminar, além disso, nada de folga nos finais de semana.

  1. Conte-nos um pouquinho de como é sua relação com os leitores de seu blog. Eles têm alguma influência na sua maneira de blogar?
Através do blog fiz inúmeros amigos e alguns, já tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o que só me trouxe alegria.
No Pilotando sou muito transparente e tudo que escrevo reflete o meu modo de ser, de pensar e agir. É claro que meu desejo é o de agradar o maior número de leitores e fazer com que se tornem fiéis, mas isso acontece ou não de forma natural.
Já percebi certo preconceito pois publico receitas simples, para o dia a dia mesmo. Mas eu não ligo, como falei, sou “arquiteta de panelas”, e por isso, escrevo sobre minhas experiências na cozinha, que são simples e gostosas. O dia que me formar em Gastronomia quem sabe mudarei meu discurso.

  1. Tivemos um ótimo encontro de blogueiros em São Paulo. Você acha que o relacionamento entre blogueiros pode mudar após um encontro presencial? O que mudou para você depois do encontro?
O Encontro realmente foi maravilhoso. Tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente pessoas que fazem parte do nosso cotidiano virtual, que possuem interesses semelhantes e que admiramos por acompanhar mesmo que quietinhos o trabalho desenvolvido em seus blogues.
O que percebo é que ainda somos pouco unidos e espero que após esse Encontro, isso possa mudar.
 
  1. Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?
Nas mais diversas fontes, livros, revistas, internet, e principalmente dos ingredientes que possuir no refrigerador e na despensa na hora em que for preparar algum prato. A maioria deles surge assim, sem receita, da mesma forma que fazia na minha adolescência ao tentar preparar meus bolos.

  1. O blog alterou de alguma forma sua maneira de lidar com a comida?
De certa forma sim, principalmente no que diz respeito ao reaproveitamento da comida. Antes muita coisa acabava indo para o lixo, mas hoje, com mais conhecimento e experiência na cozinha, tenho buscado alternativas para reaproveitar as sobras. Sempre que consigo bons resultados, eles acabam indo para o blog  a fim de incentivar que as pessoas façam o mesmo.

  1. Você participou do evento Google + Restaurant Week, como foram os preparativos e qual foi seu maior desafio ao gravar um vídeo de receitas ao vivo?
Esse evento foi muito enriquecedor. Meus leitores sempre pediam que fizesse vídeos das receitas, mas sempre fugia das câmeras inventando alguma desculpa. Quando o convite surgiu, fiquei com as pernas bambas, mas sabia que era importante para mim e principalmente para o Pilotando um Fogão. Precisava participar!
Durante os dias que antecederam, fiz alguns testes para que tudo ficasse perfeito. Tinha que testar a internet, a receita, o melhor ângulo para o posicionamento da webcam, e até mesmo o que iria falar. Cheguei ao ponto de fazer cartazes com ¨cola¨ caso não soubesse o que falar, mas nem cheguei a pendurá-los.
Talvez o medo de errar tenha sido meu maior desafio, mas poucos minutos antes da transmissão estava calma, segura e pronta para dar o melhor de mim. Não sei como isso aconteceu, talvez tenha sido fruto de toda a preocupação e  preparação que aconteceram antes da gravação. O que importa é que atingi meu objetivo e estou pronta para os próximos desafios.




Obrigada Alessandra pela entrevista e muito sucesso para você e para o Pilotando!


Entrevista em Destaque com Sandra Reis do Caldeirão da Bruxa Solar


A entrevsita em Destaque de hoje é com a Sandra Reis, autora do blog Caldeirão da Bruxa Solar.

É incrivel que, mesmo fazendo perguntas iguais para vários blogueiros de culinária, o conteúdo das entrevistas continuam sendo muito interessantes e originais! É como nossos blogs, o assunto é o mesmo mas cada blog um transmite a alma de seu autor.

Curta a entrevista com a bruxinha Sandra e aproveite para degustar também as delícia do Caldeirão.




Conte-nos um pouquinho como foi o início do Caldeirão da Bruxa Solar, quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar.

O Caldeirão surgiu em julho de 2010 com a proposta de compartilhar receitas que faziam parte da minha (duvidosa) fama de quituteira adquirida entre os amigos (avaliação tendenciosa) e receitas de família que evocassem estórias e memórias afetivas. Além disso, demonstrar que o interesse pela culinária se aprende e se conquista a partir de experiências prazerosas e que todo mundo um dia pode aprender e gostar de cozinhar.

Quando surgiu seu interesse pelas panelas e como aprendeu a cozinhar?

Complementando a resposta anterior e sendo eu mesma um exemplo do que citei, meu interesse pelas panelas foi tardio, começou aos 19 anos, quando mudei- me de cidade para fazer faculdade e nem sabia como fritar um ovo. Entre acertos e (muitos) erros, aprendi a cozinhar “na marra”, fazendo das minhas amigas com quem morava as minhas *cobaias, e a partir daí fui percebendo e descobrindo uma aptidão, um prazer e uma nova forma de expressão.

*só para constar: as cobaias continuam minhas amigas queridas, todas sobreviveram à terrível experiência (não deve ter sido tão má assim).

Qual sua profissão/formação profissional? De alguma maneira essa profissão/formação influencia no blog?

Sou arquiteta e designer e com certeza trago muito da minha experiência profissional para o Caldeirão, seja no exercício da criação de algumas receitas, composição de cores e formas dos pratos, enquadramento das fotos, diagramação do texto e apresentação visual do blog. Quando percebo me vejo no preciosismo de passar as dimensões das fôrmas utilizadas na execução das receitas e por vezes me censuro e corrijo quando achava que deveria descrever que o corte de tal vegetal deve ser “longitudinal” e não “transversal”.

Seu blog é vegetariano mas você não o divulga como tal. Por que não? 

Porque respeito a opção alimentar de cada um e não gosto de categorizar as pessoas conforme suas escolhas. Sou vegetariana, mas não faço o blog só para pessoas vegetarianas, mas sim para todos que querem ter opções e perceber como o “Reino Vegetal”, como costumo dizer, é rico e permite muitas variedades e bastante criatividade. Comida vegetariana pode ser gostosa, bonita e atraente. O que defendo mesmo é a alimentação saudável.

Você encontra alguma limitação em conquistar leitores por não postar receitas com carne?

Difícil responder à essa pergunta. O que imagino é que há a possibilidade de encontrar ótimas receitas com carne em muitos e excelentes blogs, alguns dos quais recomendo e que fazem parte do meu blogroll como meus favoritos. Então poderia dizer ser essa uma maneira indireta do Caldeirão de apresentar essa opção, de suprir esse possível interesse do meu leitor. Por outro lado há muitas pessoas entre meus leitores que têm vontade de variar ou aderir à dieta vegetariana e passam a ser assíduos, o que para um blogueiro é motivo de comemoração, ter conquistado o “leitor fiel”.

Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?

Diria que é o tempo que gostaria de poder me dedicar mais a ele e o qual não possuo na minha vida cotidiana, se tivesse que resumir essa pergunta. Sempre imagino melhorar o lay-out, criar mais atrativos, mais assuntos ou novos tópicos, mas infelizmente esbarro no entrave da falta de tempo.

Seu blog é um passatempo ou você pretende ganhar dinheiro com ele ou através dele?

Nunca considerei meu blog um hobby ou passatempo. Toda atividade a qual dedicamos tempo, assiduidade, seriedade e compromisso não pode ser assim considerada. Claro que pretendo ganhar dinheiro com meu blog, se possível.

Blogueiro é um profissional como qualquer outro e como tal, precisa ser remunerado efetivamente e a contento. Nosso leitor também nos enxerga como profissionais, caso contrário não haveria confiança quando reproduz nossas receitas ou compra produtos que indicamos, nem quando nos enviam mensagens fazendo perguntas, expondo suas dúvidas, solicitando informações e até mesmo indicações. 

Agora ponderando com a cabeça da arquiteta, para essa estrutura funcionar e ficar perfeita (já que a melhor forma de equilíbrio são os três apoios) só falta obtermos o reconhecimento do anunciante através das Empresas ou das Agências de Publicidade, estabelecendo e consolidando por meio dos blogs uma maneira de divulgação do seu produto ou marca num sistema direto e ágil de interação baseado na opinião autoral de credibilidade.

Quanto tempo por dia ou por semana você se dedica ao blog?

Existe o tempo direto - o objetivo ou o prático - e esse poderia estipular em torno de 20 horas semanais, com maior dedicação aos sábados e domingos, onde edito as fotos dos pratos executados durante a semana, pesquiso novas receitas, providencio ingredientes e já programo algumas postagens. Durante a semana ficam alguns ajustes e divulgação nas redes sociais, respostas ao leitor e outros. 

Há também o tempo subjetivo, ou indireto, quando sua cabeça também trabalha para o blog, seja assistindo aos programas de culinária, folheando revistas e livros, pesquisando produções para fotos, imaginando receitas para utilizar aquele ingrediente novo que encontrou no mercado, enfim, esse tempo não dá para quantificar.

Conte-nos um pouquinho de como é sua relação com os leitores de seu blog e com outros blogueiros. Você responde aos comentários, visita blogs amigos? Na sua opinião qual a importância desse relacionamento para um blog de culinária?

Quando criamos um blog, não temos a ideia do que irá acontecer, se teremos leitores, se alguém se interessará pelo que escrevemos, é quase que um mergulho no vazio. Aos poucos vamos recebendo algum tipo de feed back e vamos nos relacionando com outros colegas e leitores. Na condição de blogueira tenho recebido muito carinho pelas pessoas, algumas até amigas de longa data, que passaram a comentar, quando me encontram, que são fãs do Caldeirão. Recebo muito comentário, principalmente via Redes Sociais de pessoas que reproduziram minhas receitas. Isso não tem preço, é um ganho que jamais imaginei que teria, é como um alimento para a alma.

Por outro lado, agora na condição de leitora também, passei a frequentar vários blogs de pessoas pelas quais tenho carinho, respeito e admiração. Porque só quem é blogueiro sabe da luta diária para atualizar seu blog, e isso cria uma espécie de reconhecimento e solidariedade entre os colegas. Conheci várias pessoas especiais e muitas se tornaram minhas amigas de verdade, por quem tenho profundo carinho. Nos visitamos como quem vai à casa uns dos outros. 

Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?

Gosto muito de contar um pouco sobre a concepção do prato no texto introdutório, antes de apresentar a receita. Acho que é nesse momento que as pessoas conhecem um pouco mais do blogueiro e percebem que ali tem um ser humano com sentimentos e percepções e não somente um divulgador de sugestões. 

Quantos às minhas receitas, normalmente faço uma mescla de várias influências: tenho algumas vindas de família de doces, pães e bolos, por exemplo, outras acontecem no preparo do dia a dia, pois faço comida do cotidiano, buscando facilidade, rapidez e ingredientes baratos, e essas são influenciadas, no total ou parcialmente, por programas de TV, livros, revistas, pesquisa na internet, dica ou receita de amigo ou leitor. Costumo vez ou outra reproduzir algumas dos blogs amigos, também como uma forma de agradecer e reconhecer o trabalho daquele colega.

O blog alterou de alguma forma sua maneira de lidar com a comida?

Sim, com certeza! Acho que essa percepção não é só minha: quando iniciamos um blog, pensamos que seremos pessoas a ensinar. Passado um tempo, percebemos o quanto temos a aprender. O blog me trouxe uma extrema curiosidade de adquirir mais e mais conhecimento e uma grande humildade de reconhecer que o que eu tenho de melhor é ser eu própria um testemunho de que cozinhar é trabalhar a generosidade, é doar-se, é compartilhar. 

Prefiro cozinhar a comer, meu prazer maior é alimentar, no termo mais amplo da palavra, do mais sutil ao mais direto. O que o Caldeirão me proporcionou foi a oportunidade de oferecer, de abrir minhas portas, de estender minha mesa a mais e mais pessoas. Em resumo, é isso.

 


Muito obrigada Sandra pela entrevista e muito sucesso para você e o Caldeirão!