Segunda-feira

Como conseguir parcerias para blogs de culinária e algumas dicas para não entrar em uma furada

Quando iniciamos um blog, ávidos por informações, lemos várias dicas e aprendemos que parcerias são uma excelente forma de aumentar as visitas em um blog. Mas como fazer?

Meu primeiro conselho é muita calma nessa hora! O primeiro passo é ter um blog com um bom conteúdo, ético e com layout agradável. Sem isso ninguém vai querer ser seu parceiro. E o outro passo importante é analisar muito bem antes de escolher a parceria para saber se ela vale mesmo à pena.


Parceria entre blogs de culinária/gastronomia

Comece devagar, um passo de cada vez. Não adianta pedir para um blog que está bombando com 1 milhão de visitas mensais para ser parceiro do seu bloguito com 100 visitas semanais... O cara vai se ofender! Descubra outros blogs como o seu ou um que esteja um pouquinho mais adiante, mas que tenha um bom conteúdo, e proponha com muita edução e através de um e-mail uma troca de banners ou de postagens. Aquele comentário dizendo: "linkei seu blog, você pode linkar o meu?" é irritante e está super fora.

Parcerias com blogs de uma mesma cidade ou estado podem ser interessante. Os blogueiros podem se encontrar pessoalmente, divulgar as fotos do encontro e estreitar ainda mais os laços entre os autores e os leitores.

Mês que vem estou começando uma parceria que se chama "Blog Parceiro do mês" cada mês possível terei um blog diferente como parceiro do Aromas e Sabores. O que vamos fazer nesse tempo? Trocar banners e cada blog fará uma receita do outro citando o blog amigo. Eu também vou publicar aqui no Blogs uma entrevista com o autor.


Parceria com empresas

Quando eu iniciei o Aromas e Sabores fiquei louca atrás de produtos, principalmente livros, para sortear em meu blog. E não consegui nadinha! Ainda bem porque hoje, um pouco mais madura, veja que muita parceria é furada! Então cuidado e analise direitinho. Parcerias com empresas que somente tem por objetivo a "doação" de produtos para sorteio e que tem contrato de um ano podem ser uma roubada total. Algumas empresas demoram a enviar o produto para o leitor, outras fazem parcerias com todos os blogs que encontram sem distinção e a maioria não tem respeito algum pelo blogueiro e só se interessa por você enquanto a marca deles está em seu blog de graça! Quando suas visitas aumentarem muito e você quiser cobrar algo mais vão lhe mandar pastar.

Depois que o Aromas e Sabores começou a crescer um pouco chovem propostas de "parcerias indecentes" do tipo "que tal sortear em seu blog uma garrafa de água ou um chaveiro com nossa marca? Ou uma caixa de biscoitos industrializados?" Sinceramente fico ofendida! Quem já organizou um sorteio sabe o trabalho que dá... Trocar um espaço de propaganda em meu blog, que eu escrevo com muito carinho, por uma caixa de biscoitos? Peralá gente!!

Se dê valor e dê valor ao seu blog e a seu trabalho! Nós blogueiros temos que nos valorizar e saber cobrar. É claro que quando somos pequenos uma produto legal grátis para sortear pode nos ajudar gerando mais visitas e seguidores durante o sorteio. Mas mesmo assim escolha produtos de qualidade, de boas marcas e sempre peça pelo menos um produto igual para você. Afinal de contas você é que tem todo o trabalho. Procure não se prender a contratos duradouros porque seu blog irá cescer e sorteios mensais do mesmo produto insosso pode cansar seus leitores.

Eu recebi uma vez uma proposta assim: eu receberia um kit de bons produtos no valor de uns R$400,00, até aí estava interessadíssima! Mas fui lendo o e-mail e me decepcionando: teria de fazer uma postagem sobre a empresa, colocar o banner deles em meu blog e também durante um ano eu teria de mostrar em duas postagens por mês um dos produtos que ganhei. Agora faz as contas comigo: eu teria de fazer 25 postagens em um ano e receber por elas somente R$ 400,00, ou seja, eu receberia por cada uma míseros R$16 e ainda deixaria o banner da empresa no blog de graça. Você acha justo?

Outra vez recebi proposta de uma empresa de congelados recém aberta de uma cidade pequena do nordeste. Eles usariam minhas receitas no site deles em troca de links para meu blog. É muito fácil manter um site com o conteúdo dos outros! Quantas visitas será que esse site geraria? Duas, três por mês? Talvez nem isso. E os congelados poderiam ser associados ao meu nome. E se fossem ruins?

Não se deixe enganar por um link em blog/site de empresas. Esses links, na maioria das vezes, gera poucas visitas. E muitas empresas tentam te comprar com isso. Peça o midia kit da empresa ou pelo menos o número de pageviews mensais para você poder avaliar melhor.


Parceria com editoras

Uma das poucas parcerias de troca de produtos por publicidade que eu ainda aceito é com editoras. Por um motivo simples e pessoal: eu gosto de livros e gosto de incentivar as pessoas a ler, mesmo que sejam livros de receitas. De modo geral essas empresas enviam livros cortesia para você fazer resenhas ou receitas do livro que recebeu. Muitas querem que você faça sorteios, mas aí já é querer demais! Sorteios eu só faço se pagarem por um plubieditorial (postagem paga).

Mas quando aceito a proposta deixo bem claro que apesar do livro estar sendo enviado gratuitamente eu escrevo minha opinião sincera sobre o produto destacando pontos fortes e fracos da publicação. A maioria das empresas cai fora!

Também não coloco o banner da empresa no meu blog e hoje em dia peço dois livros para fazer a resenha de uma. O que termina não acontecendo porque se eu gostar muito do livro vou terminar testando uma receita dele e dando os créditos. Continua sendo um exclente negócio para a editora.


Últimas considerações

Quem leu essa postagem até aqui deve estar se perguntando. "E aí, como eu faço para arrumar uma parceria para meu blog?"

Se estiver com muita pressa você pode tentar entrar em contato com as empreas que fazem parcerias com outros blogs e se oferecer para participar, com educação e em um e-mail bem escrito. Que empresas são essas? Pesquise em outros blogs de culinária, procure por banners ou sorteios que você vai saber logo.

Faça propostas para lojas ou empresas de sua cidade. Vá pessoalmente se possível. Você pode sugerir produtos para sorteio, troca de links ou banners, produtos para você resenhar, etc.

Infelzmente as maioria das empresas brasileiras ainda não acordou para o potencial de mídia de um blog e querem fazer acordo oferecendo migalhas. Mas cabe a nós blogueiros tomarmos uma posição e não aceitar qualquer coisa!

Mas o mais simportante é: trabalhe no blog, foque-se no seu conteúdo que as parcerias aparecerão!


Você tem mais alguma dica para dar ou consideração a fazer?? Fala aí!

Terça-feira

Entrevista em Destaque - Ana Flávia Dodl do Blog Moda Gourmet



A entrevistada de hoje é a Ana Flávia Dodl do blog Moda Gourmet. Ana Flávia também é aqui do Rio de Janeiro e tive o prazer de conhecê-la pessoalmente no primeiro encontro dos blog de Gastronomia da cidade quando seu blog tinha pouquíssimo tempo de vida. Desde então tenho aocmpanhado seu crescimento e a dedicação de sua autora.


1. Você pode nos contar um pouquinho como foi o início do Moda Gourmet, quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar?

Sempre admirei muito o trabalho de alguns blogueiros. Leio diariamente blogs de assuntos variados. Mas sempre senti falta de um blog que conseguisse unir aquela receita maravilhosa à uma mesa bem arrumada, dicas de como receber com charme de uma forma descomplicada, idéias para tornar o "dia a dia" das refeições mais especial. O blog surgiu com o objetivo de compartilhar sugestões criativas e charmosas na hora de receber em casa. Da idéia da festa à decoração da mesa, da escolha das flores e louças à elaboração do cardápio. De um jeito que você mesmo possa fazer.

2. Quando surgiu seu interesse pelas panelas e como aprendeu a cozinhar?

Diferente da maioria das pessoas que hoje ama cozinhar e aprendeu com a avó, mãe ou tia, na minha casa ninguém nunca teve esse dom. As mulheres da minha família sempre trabalharam fora e por sorte tivemos uma cozinheira mineira em casa. Ela sempre cozinhou muito bem (e cozinha até hoje). Portanto, não aprendi a cozinhar, mas sim, a comer bem. Já adulta, em 2005, fiz dois cursos de Sommelier na ABS (Associação Brasileira de Someliers) e acho que ao estudar sobre os vinhos, acabei me deixando levar pelo mundo maravilhoso da gastronomia. Passei a admirar a culinária como arte, assim como os vinhos. Quanto mais você estuda, mais você se apaixona pelo assunto.

3. Qual sua profissão/formação profissional? De alguma maneira essa profissão/formação influencia no blog?

Sou jornalista e farmacêutica for formação. Do jornalismo herdei a paixão por escrever, o desejo de me expressar, compartilhar. No curso de farmácia me identifiquei com a disciplina de bromatologia, a ciência que estuda os alimentos. Foi aí que aprendi que o melhor remédio não está encapsulado. Ele está ali, naqueles 150 mililitros de vinho que você degusta diariamente ao lado de quem você ama. Se faz bem para o coração, faz bem para alma. Não é mesmo? E como numa fórmula farmacêutica, uni os dois "ingredientes" e surgiu o blog.

4. Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?

Eu lembro que no início dediquei muito tempo para construir, junto com um designer, um lay-out agradável, clean e moderno para blog. Queria que fosse um blog fácil de ler, com fotos bonitas e de fácil manuseio. Menos é mais! Pesquisei muito na internet para chegar ao lay-out do Moda Gourmet, com um design de identidade forte, autêntico. Ao mesmo tempo delicado e sem poluição visual. E esse é meu desafio diário, manter essa "limpeza" visual, sem pisca-piscas ou qualquer poluição visual que tire o foco do texto e das fotos, que são o mais importante.

5. Seu blog é um passatempo ou você pretende ganhar dinheiro com ele ou através dele?

Meu blog é uma motivação constante de compartilhar com os leitores alguns prazeres da vida, como receber, degustar um bom vinho ao lado da família e amigos, preparar aquela comida gostosa, viajar, aproveitar a vida ao lado de quem a gente ama. O reconhecimento e os frutos dele vêm naturalmente quando o leitor busca e encontra o conteúdo que deseja no blog.

6. Quanto tempo por dia ou por semana você se dedica ao blog?

A dedicação ao blog é integral. Mesmo na hora que você não está escrevendo, você está no computador pesquisando, lendo outros blogs, se atualizando. Sem contar que tudo te leva ao blog. No meu caso, se vejo um tecido, tenho a idéia de fazer uma toalha. Se vejo uma garrafa de vinho vazia, vejo nela a possibilidade de fazer uma arranjo floral. Em um programa de culinária na TV, vem aquela idéia de fazer uma receita. Tudo me inspira, o tempo todo. E isso é genial porque nosso cérebro está sempre se exercitando. Nasce em você aquele desejo imediato de compartilhar com o seu leitor.

7. Conte-nos um pouquinho de como é sua relação com os leitores de seu blog e com outros blogueiros. Você responde aos comentários, visita blogs amigos? Na sua opinião qual a importância desse relacionamento para um blog de culinária?

A leitura de outros blogs e veículos de comunicação é imprescindível para um blogueiro se manter atualizado. Como jornalista, me vejo responsável em passar informações que acrescentem e construam novas opiniões. Você passa a ser um formador de opinião. A amizade no mundo da blogosferera é uma delícia porque estamos todos conectados construindo informação para nossos leitores. E essa troca de idéias abre um leque de possibilidades de novos posts, mesmo que os blogs tenham assuntos diferentes. Acredito que uns se inspiram nos outros. Isso é muito bacana. Tento sempre responder aos comentários do blog e os emails. Se surgem dúvidas, as vezes acabo fazendo um post específico sobre o assunto.

8. Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?

Como escrevo muito sobre decorações de mesas, por exemplo, a inspiração das matérias surge com as necessidades do meu dia a dia. Recebo emails pedindo uma decoração para um jantar mais formal, ou um almoço de domingo, e isso me inspira muito a publicar posts direcionados às necessidades dos leitores.



Obrigada Ana Flávia por participar do Entrevista em Destaque e muito sucesso para você e seu blog!

Ética nos blogs de Gastronomia


Esse é um assunto muito difícil e tem gerado muitas discussões, raiva e desentendimentos no mundo dos blogues. Afinal de contas o que é ética? Para mim ética é simplesmente respeitar os outros. No caso desse texto aqui estou falando de respeitar o blog dos outros e seu conteúdo.

É muito fácil começar um blog! O difícil é mantê-lo e produzir conteúdo quase que diariamente, escolher a receita com cuidado e carinho, cozinhar, tirar fotos, editá-las, editar o texto, corrigir, postar e ainda trabalhar porque a maioria de nós não sobreviveria do blog.

Então gente, copiar uma receita com control C/control V e postar em seu blog sem nem ao menos citar a fonte é falta de respeito total! Pior ainda quando a receita é copiada com foto e tudo. Já vi blogs que copiam a foto de um local e a receita de outro. Não adianta, está enganado quem?

E mesmo citando a fonte tem blogueiros que não gostam da prática, afinal de contas custa pedir autorização na hora de copiar algo que não foi escrito/produzido por você??

Para ser mais clara: produzir receitas com imagens e textos bem escritos demandam dedicação e tempo e tempo é dinheiro! Se você copia dos outros está roubando, entendeu? A internet parece terra de ninguém porque é muito fácil copiar, mas nós blogueiros conscientes estamos de olho! Plágio é um crime no Brasil e mesmo os autores "virtuais" estão cobertos pela lei.

Tenho recebido alguns pedidos de inclusão no Blogs de Culinária de "blogs" de recortes, ou seja daqueles blogueiros que não produzem conteúdo e somente copiam e colam as receitas de outras pessoas. Desculpem-me, mas isso não é um blog, é um caderno de colagem virtual! Nada contra caso você seja ético: tenha autorização do autor, cite as fontes e textos, receitas e fotos e coloque links para a postagem original. Mas de qualquer forma esse tipo de blog não é listado aqui porque eu procuro conteúdo inédito e interessante para meus leitores com receitas testadas pelo próprio autor.

Se você está pensando em iniciar um blog de Culinária por favor pense no que eu falei aqui.

Fica a dica: respeite o outro para ser respeitado, somente dessa forma seu blog irá crescer e fazer sucesso!

Segunda-feira

Entrevista en Destaque - com a Júlia Sizinando Rossi do blog Tem Delícia na Cozinha


O entrevistada de hoje é a Jú do ainda "bebê" Tem delícia na Cozinha. Ela conta para a gente como é sua relação com o blog! Vamos degustar?


1. Conte-nos um pouquinho como foi o início do Tem Delícia na Cozinha, quando você iniciou, porque e qual foi sua motivação para começar.


O Tem Delícia na Cozinha começou de forma despretensiosa. Resolvi colocar as minhas receitas em um blog ao invés de enviar para amigos todas às vezes depois de um jantar na minha casa.
A ideia foi me animando e meu marido me incentivou muito. Sou jornalista e tenho paixão por escrever e por cozinhar. Então, aos poucos, fui me dedicando mais e colocando também as receitas de pratos que eu fazia no dia-a-dia, sem ninguém pedir. Quando percebi, o número de acessos ao blog deu um pulo gigante.... e não eram mais só os meus amigos e familiares que estavam acessando...
Comecei a me empolgar cada vez mais, até acabar registrando domínio e pagando para um profissional desenvolver um layout. Isso tudo há menos de um ano, pois o Tem Delícia na Cozinha ainda é um recém nascido muito mimado pela “mamãe”.

2. Quando surgiu seu interesse pelas panelas e como aprendeu a cozinhar?

Aprendi a cozinhar quando entrei para a faculdade. Eu ainda morava com meus pais, mas chegava antes deles em casa e preparava os almoços algumas vezes por semana. Naquela época, eu fazia sempre os mesmos pratos. Até hoje ouço piadinhas na família sobre isso.
Sem dúvida os grandes incentivadores do meu amor pela cozinha foram meu pai e minha mãe, que são excelentes cozinheiros e sempre disputam uma vaga entre as panelas.
Quando saí de casa para morar sozinha, em Florianópolis, comecei a curtir cozinhar só pra mim, por prazer. Telefonava para meus pais e pedia dicas, tirava dúvidas. Olhava receitas na internet e ia mudando, de acordo com meus instintos.
Em pouco mais de um ano eu já era uma apaixonada pela cozinha. Hoje, cozinhar é, sem dúvida, a coisa que mais amo fazer na vida.

3. Qual sua profissão/formação profissional? De alguma maneira essa profissão/formação influencia no blog?

Sou jornalista formada e atuo na profissão há seis anos. O jornalismo tem influência direta no Tem Delícia na Cozinha, pois acho que tenho uma responsabilidade ainda maior de passar a informação de forma correta e objetiva, com uma linguagem clara e diferenciada. Além disso, o blog trouxe consequências para a minha profissão, pois conquistei clientes de assessoria de imprensa na área de gastronomia e sempre sou escolhida para escrever sobre assuntos relacionados à comida na empresa em que trabalho.

4. Quais as dificuldades com o blog que você teve ao começar e quais ainda têm?

As principais dificuldades que eu tinha eram em relação à divulgação do blog. Quando decidi profissionalizar, passei a querer que o Tem Delícia na Cozinha fosse cada vez mais visitado, acessado e comentado. E não tinha muita ideia de como fazer isso.
Vencida essa barreira, que aconteceu de forma muito natural, hoje encontro algumas dificuldades com a tecnologia. Não sou expert em linguagem de internet, então “apanho” bastante quando preciso fazer alguma mudança de estrutura no blog, por exemplo.

5. Seu blog é um passatempo ou você pretende ganhar dinheiro com ele ou através dele?

Passatempo não é. Já foi, mas não é mais. Passatempo é aquilo que você faz quando está afim, para relaxar, sem compromisso. Hoje, o Tem Delícia na Cozinha é parte da minha vida profissional. Tenho centenas de leitores fiéis e milhares de leitores esporádicos, que utilizam o blog como fonte de informação e de referência... eu não posso deixar essas pessoas na mão.
Tenho a responsabilidade de responder e-mails e comentários, tirar dúvidas e manter uma freqüência de postagens. Faço isso de forma regrada, como parte da minha rotina. Infelizmente o blog ainda não é uma fonte de renda, mas quero sim que um dia ele seja. Quando isso acontecer, ele continuará sendo um espaço democrático e verdadeiro, pois nunca esqueço os valores da minha profissão. Blog é informação. E informação, só com responsabilidade!

6. Quanto tempo por dia ou por semana você se dedica ao blog?

Todas as receitas que faço, independente do dia ou da dificuldade, são fotografadas. Gasto bastante tempo com isso, pois fotografo o passo a passo, para facilitar a vida dos leitores. Quando tenho fotos de pelo menos cinco receitas, baixo-as para o computador. Neste dia eu sento, me inspiro, faço meu chimarrão e escrevo as postagens. Deixo tudo programado, para entrar todos os dias, de segunda a sexta. Em novembro do ano passado, por exemplo, eu tinha 27 postagens programadas... isso correspondeu a muitas e muitas horas de trabalho contínuo, mas muita tranqüilidade durante minhas férias, quando o blog continuava a ser atualizado, só que de forma programada.
Acho que eu poderia dizer que “gasto” pelo menos umas sete horas semanais com o blog. Sem contar todas as horas na cozinha, é claro!

7. Conte-nos um pouquinho de como é sua relação com os leitores de seu blog e com outros blogueiros. Você responde aos comentários, visita blogs amigos? Na sua opinião qual a importância desse relacionamento para um blog de culinária?

A minha relação com meus leitores e outros blogueiros é muito legal. Fiz alguns amigos e troquei muitas idéias que fizeram toda a diferença na minha vida de “cozinheira”. Respondo a todas as dúvidas por email, respondo os comentários que são necessários e visito alguns blogs que fazem parte da minha lista de visitas diárias.
Só tenho uma frustração: sei que eu poderia ter um número maior de acessos e aprender muito se tivesse mais tempo para me dedicar a visitar outros blogs e trocar “figurinhas” com outros blogueiros. Mas como o Tem Delícia na Cozinha é só uma das minhas responsabilidades profissionais, acabo sem muito tempo para me dedicar de corpo e alma.
Além de blogueira, trabalho como assessora de imprensa em uma empresa e ainda sou esposa e dona de casa. Daí já viu, né?

8. Onde você busca inspiração para escrever suas receitas e matérias?

As inspirações vêm da minha cozinha. É o meu espaço na casa, o lugar onde adoro estar. Meu marido é um comilão, assim como eu, então tudo o que faço é pensando em nós dois, na nossa alegria e nos momentos de prazer. Os amigos também inspiram, pois estão sempre lá em casa experimentando um prato diferente. Cozinhar é o que mais me faz feliz, entre todas as minhas atividades diárias.

9. O blog alterou de alguma forma sua maneira de lidar com a comida?

Totalmente. Antes de ser blogueira, eu sempre repetia os pratos lá em casa. Agora, sempre tenho que pensar em algo novo, para ter assunto para postar. Receita repetida não vale, né?
Além disso, passei a conhecer o maravilhoso mundo gourmet e virei consumidora assídua de produtos super especiais, dos quais até então eu nem sabia da existência. Hoje acho que cozinho muito melhor, com muito mais variedade, e com muito mais prazer.



Obrigada Júlia por participar do Entrevista em Destaque e muito sucesso para você e seu blog!


Minha experiência na faculdade de Gastronomia

Muita gente me pergunta como é uma faculdade de Gastronomia, como funcionam as aulas e como foi minha experiência durante o curso. Então vou contar para você um pouquinho de como foi meu dia-a-dia, mas atenção - o texto é pessoal e não quer dizer que as experiências de todos os alunos sejam iguais.

Eu fiz o curso de Gastronomia da Universidade Estácio de Sá antes do convênio com a escola do francês Allan Ducasse, me formei em 2007 e cheguei a assistir como monitora algumas das aulas do novo curso. As disciplinas mudaram bastante, algumas saíram e outras entraram.

Eu tinha somente duas matérias teóricas por dia ou uma matéria prática, de segunda à sexta na parte da tarde, turno que escolhi, que começava às 13:00 e ia até umas 17:00.

Entre matérias teóricas estudamos nutrição, história da Gastronomia, marketing, francês para Gastronomia, administração básica, segurança alimentar, português, etc. Algumas foram muito boas outras nem tanto, mas acho que as disciplinas teóricas são uma parte importante do curso.

A primeira disciplina prática foi bem básica e ensinou identificação de alimentos, cortes, caldos, molhos, etc.

As aulas de cozinha práticas tinham sempre um tempo antes de teoria. Por exemplo: quando era aula de cozinha brasileira antes de cozinhar aprendíamos como é a comida de cada região, quais ingredientes usados, pratos típicos e um pouco de história. Os professores aproveitavam também para explicar quais seriam os pratos a serem preparados na aula prática e dar as informações necessárias sobre as receitas e métodos de preparo. Tínhamos que fazer cópias das fichas técnicas das receitas do dia fornecidas pelo professor e levar para a aula para podermos acompanhar.

A aula prática era sempre a mais esperada do dia! Os alunos mais eufóricos só queriam saber de colocar a mão na massa sem se preocupar com as instruções. Acho que esses aproveitaram menos o curso... Cada disciplina prática tinha dois professores, normalmente enquanto um deles estava dando a aula teórica o outro estava preparando a prática.

Para cada disciplina a turma era dividida em bancadas, ou seja, grupos de 4 ou 5 alunos que iriam dividir o fogão, pia, etc. e preparar as receitas em conjunto. Chegávamos no laboratório/cozinha uniformizados para começar o mise-en-place (ou seja, o pré-preparo, que consiste em separar, pesar, cortar, lavar, etc. os insumos necessários para a aula), às vezes os ingredientes já estavam separados, o que era bom porque alguns alunos sem noção pegavam mais para si e não deixavam para os outros! Quando havia bebida alcoólica era um perigo...

O professor demonstrava em uma bancada maior como ele queria que os pratos fossem feitos e cada bancada fazia os seus, os professores supervisionavam e tiravam as dúvidas. Cada disciplina era de um jeito mas em média fazíamos 3 pratos diferentes por aula.

Ao final do preparo íamos todos para uma sala grande onde comíamos as preparações e os professores provavam (nem sempre, mas deveriam) de todo mundo dizendo se estavam corretos ou não. Tinha sempre muita comida, por isso cuidado para não engordar nessa hora!

As provas também eram teóricas e práticas. As teóricas são provas normais e dependendo do professor eram de múltipla escolha, dissertativas ou ainda com consulta. Algumas provas foram trabalhos em grupo.

As provas práticas eram sempre em grupos respeitando as bancadas que eram formadas para as aulas. Tínhamos de preparar um (ou mais de um) dos pratos ensinados em aula e mostrar ao professor para que ele avaliasse a apresentação, o sabor e se estava de acordo com o que ele havia ensinado. É claro que a maioria dos alunos não ficava satisfeita com as notas nem com as observações, mas isso fazia parte!

Uma das aulas práticas de que mais gostei foi a aula de criação, onde a cada dia inventávamos receitas com os insumos designados pelo professor. Veja aqui algumas fotos de pratos preparados pela minha bancada. Na prova dessa aula ninguém saía satisfeito, o professor era bom mas rigoroso!!

Também tivemos aula de cozinha diet/light, cozinha francesa, asiática com comida chinesa e japonesa, italiana, etc. E panificação e confeitaria onde engordei horrores!

Uma das coisas de que não gostei no curso foram os alunos, que apesar de serem muito gente boa (fiz bons amigos!), a maioria não tinha muito interesse em aprender. Entravam e saíam da aula a todo momento, falavam muito atrapalhando a explicação do professor e na hora da prova colavam à toda. Fiquei um pouco supresa de encontrar tanta bagunça em uma faculdade, achei que os alunos seriam mais sérios e focados. Parece que com a entrada do Allan Ducasse a disciplina é mais exigida, mas não sei...

Em relação ao curso em si acho que faltou um pouco de aulas básicas e de técnicas em nossa época. Hoje em dia o curso dá mais base de cozinha ao aluno, mas menos disciplinas variadas como diet/light e eventos. Nada é perfeito!

Os dois anos e meio de curso passaram muito rápido e quando acabou eu queria mais!! E não tinha! As pós graduações ainda são muito poucas no Rio de Janeiro e ainda não pude fazer nenhuma. Aconselho os alunos a aproveitar o máximo suas aulas e aprender tudo que puder porque o tempo passa rápido mesmo, principalmente quando você está gostando.

Quer saber algum detalhe que eu não contei? Pergunta aí abaixo que tentarei responder.